segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Bíblia-grafia

"Ih, mas que granda bronze, puto!"..."Foste de férias para o Algarve?". Corria o mês de Abril, mas não era tempo de férias, nem mesmo as habituais férias da Páscoa. Estas e outras indagações do género eram legítimas. Afinal de contas, o "turista" acabava de regressar às aulas do secundário depois de 5 dias desaparecido e para tornar a coisa ainda mais enigmática, com um bronze invejável.
"Estive fora porque estive numa peregrinação: Fátima a pé...". Ao dizer isto, as vozes que até então procuravam saber o porquê da minha ausência, dividiam-se: uns, continuavam com perguntas trocistas; outros, ficavam admirados e procuravam saber mais coisas.
Fui uma criança que sempre andou de mãos dadas com a minha religião, indo à catequese e à missa. Fui um adolescente/jovem que, mesmo depois de terminar os anos de catequese, prosseguiu a sua caminhada cristã num grupo de jovens e a ir à missa e participar noutras actividades relacionadas com a Igreja. Sou um jovem/adulto que continua a participar nessas mesmas actividades - embora já não tanto como às vezes gostaria - e que, acima de tudo, continua a ir à missa, professando a sua Fé. Isto, para dizer que a relação religião-escola tem que se lhe diga. É complicado para uma criança dizer na escola porque é que vai todos os sábados à catequese, porque é que acompanha os pais à missa, porque é que reza...
Até este ano da minha faculdade, a discussão da religião poucas vezes tinha sido trazida à sala de aula. Talvez seja apenas coincidência mas em pouco mais de um mês de aulas, já debatemos umas 5 vezes em diferentes cadeiras aquilo que a igreja defende e o que a ciência diz, seja sobre a veracidade ou não da Teoria da Evolução das Espécies de Charles Darwin; as discussões sobre casamento na cadeira de Desenvolvimento em Contextos de Risco ou a intervenção do clero na Implantação da República Portuguesa (História). Não pondo em causa pontos de vista diferentes dos meus, a verdade é que muitas pessoas lançaram grandes bacoradas e demonstraram ignorância acerca do tema.
Veja-se ainda o que Saramago disse recentemente sobre a Bíblia: "a Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana". José Saramago é claramente a nova Maitê Proença, pois tal como a brasileira não é um cidadão português (vive em Espanha) mas que vem a Portugal promover o seu trabalho e criticar negativamente o povo português, este maioritariamente católico.